Nosso sertão

Nosso sertão é muito mais que um cacto espetado na retina.



segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Visita à Biblioteca do Paiaiá



No dia 10 de janeiro, na parte da manhã, o grupo "Jovens cronistas do sertão" visitou, no povoado do Paiaiá, no município de Nova Soure, BA, a Biblioteca Comunitária Maria das Neves Prado (também conhecida como "Biblioteca do Paiaiá"). Recebido por Geraldo Moreira Prado (conhecido como Mestre "Alagoinha"), doutor em Ciências Sociais Aplicadas, mentor e grande responsável pelo ousado projeto de instalar em pleno sertão baiano um espaço cultural desse porte, o grupo ouviu um rico depoimento sobre a história da biblioteca, que hoje reúne 115 mil títulos, o que lhe vale o título de maior biblioteca rural do mundo. 

Através de apoios nacionais e internacionais, participação em editais e colaboração de universidades, a Biblioteca do Paiaiá consegue não só ampliar dia a dia seu acervo, como oferecer à comunidade e a pessoas de outras regiões cursos de formação e diversas atividades culturais, cuja contribuição para o crescimento dos hábitos de leitura e de escrita é visível.

Hoje a luta de Mestre Alagoinha e sua equipe é por conseguir o necessário suporte para que a catalogação de todo o acervo seja feita assim como a disponibilização de obras raras on-line. 

A experiência foi extremamente emocionante, principalmente pelo exemplo de dignidade, seriedade e vocação para o bem que o sr. Geraldo e sua equipe deram ao grupo. Fica a torcida de todos para que, cada vez mais, a Biblioteca do Paiaiá receba não só o reconhecimento mas o apoio que merece. Vale a pena visitar a Internet e descobrir as belas referências a esse fenômeno cultural.

Vejam as lindas fotos que Gabi Pelosi (https://www.flickr.com/photos/gabipelosi/sets/72157663421179345/) tirou durante a visita. 
















quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Cabras, mais que animais sobreviventes

Aécio Silva Júnior

Muitas pessoas veem as cabras como animais irracionais ou como qualquer outro animal doméstico, e acham só servem para o alimento humano. A essas pessoas, quero informar que cabras não são assim.
Meu nome é Aécio, moro em uma fazenda localizada no município de Porto da Folha, em Sergipe. Tenho 16 anos. Quando pequeno, via minha avó cuidando do pequeno rebanho de cabras e ovelhas, tal como nossos vizinhos de terra, que também criavam esses tipos de animais. Naquela época, era comum a criação desses dois tipos de rebanhos.
Sempre gostei de cuidar de animais, especialmente desse belo mamífero que é a cabra, mas, infelizmente, o tempo passou e as pessoas da minha região e até de outras partes do sertão deixaram de criar as cabras, inclusive minha avó. Os antigos criadores justificavam o fim da criação dizendo que as cabras não davam tantos lucros, ou que eram muito danadas, ladras, e pouco a pouco trocaram as cabrinhas por vacas leiteiras, que devagar tomaram as propriedades rurais. Hoje, na minha região, dificilmente se encontram criações de caprinos (de ovinos até que ainda existem). Se antes, em cada casa do interior, havia ao menos uma cabra que servia para fornecer o leite de cada dia, hoje em dia as pessoas só as criam quando têm alguma necessidade de consumir o seu leite ou para abater em dia de festa. Assim mesmo, criam uma ou duas e olhe lá! E você, meu caro leitor, sabe qual a consequência disto?
Nos dias atuais, é comum ouvir dos fazendeiros (sejam eles grandes ou pequenos) reclamações sobre os enormes gastos que têm com a alimentação do gado bovino, o baixo lucro com o leite e a carne comercializados, além da falta de adaptabilidade de muitas raças bovinas ao nosso clima. É comum, aqui onde moro, ouvir relatos de pessoas que perderam todo ou parte do rebanho, pessoas que foram à falência ou estão endividadas com empréstimos no Banco por causa de dívidas com ração para o gado. Na ganância de terem mais lucros, os sertanejos abandonaram suas raízes e uma tradição de séculos, que é a criação de cabras, animais super adaptados ao nosso clima, só porque acharam outro animal que daria mais lucro... Coitados...
As pessoas muitas vezes julgam as coisas pelo seu tamanho... Por isso acharam que pelo fato de a vaca ser maior e dar mais leite, ela daria mais lucros mesmo aqui no sertão. Enganaram- se! Veja, leitor, a tabela abaixo:



Agora você perceba como são as coisas: mesmo com as várias vantagens, citadas na tabela acima, que a criação de cabras apresenta, a maioria dos pecuaristas optou e opta por criar vacas! Contudo, acho que esse fato vai mudar muito em breve, pois, a cada ano que passa se intensifica a seca, que chega mais forte e predomina por mais tempo, e, com isso, as pessoas começam a perceber que as cabras são (como sempre foram, apesar de muitos esquecerem) a criação que mais dá certo nesse sertão sofrido. E você sabe por quê? Porque elas, apesar da discriminação, desvalorização por parte dos sertanejos, da falta de interesse por parte dos novos criadores e de todo e sofrimento que passam com a seca, permanecem firmes e fortes e estão espalhadas pelos sertões afora.
Por causa dos vários motivos apresentados aqui, eu mesmo passei a criar cabras! Comecei com uma cabra e um bode que comprei no dia 11/07/2012 e desse dia em diante prometi a mim mesmo que, apesar das dificuldades e dos obstáculos, eu sempre criarei e valorizarei esse ser que é a cabra, um ser que, a meu ver, é símbolo de força e coragem. E falo isso porque convivo com elas, vejo suas vidas de perto e com elas aprendo que é preciso termos coragem e determinação para seguimos em frente e não desistirmos quando a primeira pedra (e outras) aparecer no caminho. Essa coragem e essa determinação fazem das cabras (e podem fazer de nós) mais que animais sobreviventes, são SERES!
Espero que você que está lendo meu texto passe a valorizar mais a cabra e procure saber ainda mais sobre sua vida e seu comportamento e use essas informações para, assim como eu, acrescentar mais ao seu SER!


terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Viagem para a Bahia

Cumprindo o cronograma de nosso projeto, de 8 a 10 de janeiro faremos um passeio exploratório a lugares especiais do sertão baiano, nos quais nossos jovens cronistas buscarão informações e inspiração para suas crônicas e farão fotografias para compor o acervo de imagens que apresentaremos no final do projeto. Durante todo o percurso do Prof. Dr. Fernando Sá (História/UFS) fará comentários sobre os locais visitados e as histórias envolvidas.

Com o apoio da Secretaria de Educação do Estado, à qual expressamos nossos agradecimentos, teremos à nossa disposição um ônibus que nos levará aos seguintes destinos:

Dia 8
Saída de Monte Alegre de Sergipe/SE ÀS 5h30 com destino a Aracaju
Encontro com o restante do grupo na Rodoviária Nova de Aracaju às 7h30
Partida para Euclides da Cunha às 8 h
12 h - Chegada a Euclides da Cunha, entrada no Hotel Central II (localizado na Praça da Igreja, Centro, tel. 75-32712865) e almoço
14 h - Ida a Monte Santo (30 km)
18 h - retorno a Euclides da Cunha, reunião do grupo, com levantamento de impressões e registro das fotos
Jantar e pernoite no Hotel Central II

Dia 9
7 h - Café da manhã no Hotel Central II
8 h - Partida para Canudos (83 km)
9h/12 h - Passeio em Canudos
12h30 - entrada no Hotel Brasil (localizado na Av. Juscelino Kubitschek, 12, Centro - tel. 75-34942039) e almoço
14 h - Passeio em Canudos
18 h - Reunião do grupo, com levantamento de impressões e registro das fotos
Jantar e pernoite no Hotel Brasil

Dia 10
7 h - Café da manhã no Hotel Brasil
8 h - Partida para Nova Soure (200 km)
10 h - Chegada a Nova Soure e visita à Biblioteca do Paiaiá
13 h - almoço em Nova Soure
15 h - Retorno a Aracaju (200 km)
17 h - Chegada a Aracaju
17h30 - Partida para Monte Alegre de Sergipe
20 h - Chegada a Monte Alegre de Sergipe





sábado, 26 de dezembro de 2015

O que é o sertão para você?

Sertão nordestino
Delfábio Moura Silva

Sertão de graças e de belezas naturais e com temperatura quente e de clima seco, na maior parte do ano, por causa da escassez de chuvas... Mas seu povo é bastante batalhador e forte e consegue se acostumar e viver com essa realidade.
Nessa realidade, contudo, há grandes riquezas como o solo semiárido, os belos animais (fonte de alimentos), a flora (caatinga), cuja planta mais conhecida é o famoso mandacaru, que admiramos muito por sua capacidade de guardar água por muito tempo. Mandacaru que é como o nosso povo, que vive na seca, no meio da caatinga, sob o sol escaldante e, mesmo assim, permanece ali vivo, verde e forte...
E não podemos deixar de fora o mais importante, o nosso velho Chico, lindo, maravilhoso, com uma beleza estupenda. Anualmente turistas do mundo inteiro vêm visitar o Rio São Francisco especialmente aqui no nordeste, pelos muitos lugares históricos e de diferentes estilos e belezas que possui. Pena, entretanto, que a coisa mais importante para nós, nordestinos, pode um dia chegar ao fim... O rio não está como era antes, cada vez mais a água diminui... e de quem é a culpa? Nossa! Nós, que causamos o desmatamento, a poluição, o mau uso e a contaminação da água... Podemos fazer algo? Sim, mas apenas se nós, nordestinos, que somos tão fortes, tomarmos, o quanto antes, as atitudes necessárias.

Além do Chico, nosso sertão tem uma grande extensão territorial, que, em grande parte, é composta só de mata com vegetação seca, mas, em alguns lugares, pode se encontrar vegetação verde. Daí as surpresas que a paisagem também pode trazer...
Rio e ausência de chuva, cor de terra e verdes surpreendentes, tudo revelando este nordeste belo, rico, maravilhoso, simplesmente ser... sertão nordestino.


terça-feira, 22 de dezembro de 2015

O que é o sertão para você?

Pedro Silvino da Costa Filho

O sertão é uma subregião do Nordeste, localizada entre o agreste e o meio norte. Seu clima predominante é o semiárido e por isso sua característica maior é a estiagem, o que faz dele um lugar de sofrimento.       
Apesar do clima seco e da ausência de água em algumas regiões durante alguns períodos do ano, existem no sertão algumas áreas de terreno úmido e é graças a essa umidade que essas áreas são os principais campos destinados à agricultura. E seu cultivo predominante são o milho, o feijão e a cana-de-açúcar.
Mas no sertão não existe só estiagem, também há diversão! É lugar de muito "cabra valente" e muita "mulher bonita". E não é só isso não, aqui também tem muita comida boa, como baião a dois, buchada de bode, rapadura, paçoca de carne seca, entre outras. Também há muitas danças, como o xaxado, congada, a capoeira, baião, trevo e o bumba-meu-boi. Pura animação aqui no sertão.
Há a estiagem e há uma chuva de alegria!


segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

O que é o sertão para você?

Igor Oliveira Mota da Silva

O nordeste é uma terra encantadora, tanto por suas belezas naturais como pela culinária diversificada, tradições e festas populares expressivas da cultura do seu povo.
A natureza deste solo, que pode parecer carente de vigor durante o verão, é especialista na sobrevivência neste período (o mais seco e quente do clima nordestino). Muitas árvores, arbustos e ervas, inclusive, são estimados pelo valor medicinal que contêm.
Falando da caatinga, não posso esquecer do desmatamento, que vemos ocorrer de forma contínua para dar esforço ao cultivo de lavouras. Por conta de tal fato, percebe-se uma significativa diminuição das chuvas nos últimos anos, o que dificulta ainda mais a vida do camponês.
Por outro lado, a vida do trabalhador rural sofreu grande mudança com a reforma agrária ocorrida em vários pontos do sertão. Graças a ela, muitos pais de família garantiram o direito à propriedade e à igualdade social.
Acompanhando essas conquistas, o povo obteve ainda mais qualidade de vida com o advento de programas de estímulo ao cultivo agrícola e de assistência técnica. Assim, os camponeses aumentam a capacidade de produção e crescimento econômico.
Tudo isso fez diminuir a miséria no campo e a saída de pessoas da área rural para a urbana e para outras regiões do Brasil.

O sertão está descobrindo saídas em si mesmo para uma vida melhor.



domingo, 13 de dezembro de 2015

O que é o sertão para você?

O que é sertão?
Luciene de Oliveira

   Certa vez, assistindo a um noticiário na TV, deparei-me com uma notícia que me chocou. Mais uma vez estavam falando do sertão... O fato chocante era que outra vez se falasse de secas... Nunca vi um noticiário falar de algum ocorrido feliz no sertão. É sempre tragédia. Desta vez a notícia tratava de um longo período de estiagem que vinha se arrastando por anos, e que trouxe muitas tristezas aos moradores da região, os SERTANEJOS, que vinham perdendo seus animais devido à falta de alimentos provocada pela falta de chuvas.
  Esses períodos de estiagem causam, sim, muitos danos aos sertanejos. No entanto, o sertão é bem mais que uma seca. A sociedade o vê como um lugar “FEIO” cheio de analfabetos, sem “cultura e educação” predestinados ao fracasso e a morrer no meio do sol quente, como dizem: um bando de caipiras sem educação. Comem iguais a selvagens, não usam talheres, comem de COLHER em uma CUIA. Vivem no meio do mato, não sabem nem em que século estamos. Não têm cultura, só têm o forró que é uma breguice... É muito fácil ouvir pessoas de outros lugares falando desse modo sobre o povo sertanejo. Coitados, não sabem de nada.
   Aqui nós temos diversas belezas... Cultura? Ah... isso nós temos de sobra. E digo mais, os moradores mais antigos do sertão não tiveram acesso à educação e, apesar deste obstáculo, fizeram parte da literatura brasileira. Quem nunca ouviu falar em cordel? Um gênero textual lindo e muito difícil de se criar! Principalmente para os “alfabetizados”, dominar essa arte é coisa de quem mora no sertão e não de graduado. As novas gerações estão evoluindo juntamente como o resto universo. Se antigamente os moradores eram formados na universidade da VIDA, hoje em dia são formados nas universidades federais, e não há nenhuma diferença em relação à outra, que inclusive é ainda mais importante, pois, saber se virar no sertão não é fácil.
  Não se engane: o forró é o nosso ritmo mais conhecido, mas não é o único. Aqui tem xote, baião, xaxado, o forró pé de serra (que é diferente do outro) e as toadas (durante as vaquejadas, os aboiadores começam a declamar seus versos). O São João é a festa mais conhecida, mas isso não significa que é a única. Ocorrem durante todo o ano as VAQUEJADAS (ou “Pega de boi no mato”), para os mais religiosos há as NOVENAS (rezas durante todo o dia para agradecer aos santos algum milagre ao som de pífanos, que se arrastam até a noite), nos pequenos povoados nos fins de semana ocorrem os leilões (o qual chamamos de “lelão”), em algumas cidades há as famosas corridas de jegue, as cavalgadas... Não faltam festas aqui!
  O povo do sertão também é muito antenado e não fica atrás de ninguém não. Estamos conectados nas redes sociais, sabemos qual é a última moda em Paris (como se isso importasse...), não somos um bando de coitadinhos que vivem no meio do mato isolados do resto do mundo.

  Para saber o que é o sertão de verdade, talvez precisássemos conhecê-lo de perto e não nos basearmos apenas no que as mídias divulgam. Pois, por meio delas, em geral, só saberemos das tragédias. O resto é como se não existisse. O sertão não se resume à morte. Ao contrário, a vida transborda por aqui.