Nosso sertão

Nosso sertão é muito mais que um cacto espetado na retina.



quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Cabras, mais que animais sobreviventes

Aécio Silva Júnior

Muitas pessoas veem as cabras como animais irracionais ou como qualquer outro animal doméstico, e acham só servem para o alimento humano. A essas pessoas, quero informar que cabras não são assim.
Meu nome é Aécio, moro em uma fazenda localizada no município de Porto da Folha, em Sergipe. Tenho 16 anos. Quando pequeno, via minha avó cuidando do pequeno rebanho de cabras e ovelhas, tal como nossos vizinhos de terra, que também criavam esses tipos de animais. Naquela época, era comum a criação desses dois tipos de rebanhos.
Sempre gostei de cuidar de animais, especialmente desse belo mamífero que é a cabra, mas, infelizmente, o tempo passou e as pessoas da minha região e até de outras partes do sertão deixaram de criar as cabras, inclusive minha avó. Os antigos criadores justificavam o fim da criação dizendo que as cabras não davam tantos lucros, ou que eram muito danadas, ladras, e pouco a pouco trocaram as cabrinhas por vacas leiteiras, que devagar tomaram as propriedades rurais. Hoje, na minha região, dificilmente se encontram criações de caprinos (de ovinos até que ainda existem). Se antes, em cada casa do interior, havia ao menos uma cabra que servia para fornecer o leite de cada dia, hoje em dia as pessoas só as criam quando têm alguma necessidade de consumir o seu leite ou para abater em dia de festa. Assim mesmo, criam uma ou duas e olhe lá! E você, meu caro leitor, sabe qual a consequência disto?
Nos dias atuais, é comum ouvir dos fazendeiros (sejam eles grandes ou pequenos) reclamações sobre os enormes gastos que têm com a alimentação do gado bovino, o baixo lucro com o leite e a carne comercializados, além da falta de adaptabilidade de muitas raças bovinas ao nosso clima. É comum, aqui onde moro, ouvir relatos de pessoas que perderam todo ou parte do rebanho, pessoas que foram à falência ou estão endividadas com empréstimos no Banco por causa de dívidas com ração para o gado. Na ganância de terem mais lucros, os sertanejos abandonaram suas raízes e uma tradição de séculos, que é a criação de cabras, animais super adaptados ao nosso clima, só porque acharam outro animal que daria mais lucro... Coitados...
As pessoas muitas vezes julgam as coisas pelo seu tamanho... Por isso acharam que pelo fato de a vaca ser maior e dar mais leite, ela daria mais lucros mesmo aqui no sertão. Enganaram- se! Veja, leitor, a tabela abaixo:



Agora você perceba como são as coisas: mesmo com as várias vantagens, citadas na tabela acima, que a criação de cabras apresenta, a maioria dos pecuaristas optou e opta por criar vacas! Contudo, acho que esse fato vai mudar muito em breve, pois, a cada ano que passa se intensifica a seca, que chega mais forte e predomina por mais tempo, e, com isso, as pessoas começam a perceber que as cabras são (como sempre foram, apesar de muitos esquecerem) a criação que mais dá certo nesse sertão sofrido. E você sabe por quê? Porque elas, apesar da discriminação, desvalorização por parte dos sertanejos, da falta de interesse por parte dos novos criadores e de todo e sofrimento que passam com a seca, permanecem firmes e fortes e estão espalhadas pelos sertões afora.
Por causa dos vários motivos apresentados aqui, eu mesmo passei a criar cabras! Comecei com uma cabra e um bode que comprei no dia 11/07/2012 e desse dia em diante prometi a mim mesmo que, apesar das dificuldades e dos obstáculos, eu sempre criarei e valorizarei esse ser que é a cabra, um ser que, a meu ver, é símbolo de força e coragem. E falo isso porque convivo com elas, vejo suas vidas de perto e com elas aprendo que é preciso termos coragem e determinação para seguimos em frente e não desistirmos quando a primeira pedra (e outras) aparecer no caminho. Essa coragem e essa determinação fazem das cabras (e podem fazer de nós) mais que animais sobreviventes, são SERES!
Espero que você que está lendo meu texto passe a valorizar mais a cabra e procure saber ainda mais sobre sua vida e seu comportamento e use essas informações para, assim como eu, acrescentar mais ao seu SER!


terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Viagem para a Bahia

Cumprindo o cronograma de nosso projeto, de 8 a 10 de janeiro faremos um passeio exploratório a lugares especiais do sertão baiano, nos quais nossos jovens cronistas buscarão informações e inspiração para suas crônicas e farão fotografias para compor o acervo de imagens que apresentaremos no final do projeto. Durante todo o percurso do Prof. Dr. Fernando Sá (História/UFS) fará comentários sobre os locais visitados e as histórias envolvidas.

Com o apoio da Secretaria de Educação do Estado, à qual expressamos nossos agradecimentos, teremos à nossa disposição um ônibus que nos levará aos seguintes destinos:

Dia 8
Saída de Monte Alegre de Sergipe/SE ÀS 5h30 com destino a Aracaju
Encontro com o restante do grupo na Rodoviária Nova de Aracaju às 7h30
Partida para Euclides da Cunha às 8 h
12 h - Chegada a Euclides da Cunha, entrada no Hotel Central II (localizado na Praça da Igreja, Centro, tel. 75-32712865) e almoço
14 h - Ida a Monte Santo (30 km)
18 h - retorno a Euclides da Cunha, reunião do grupo, com levantamento de impressões e registro das fotos
Jantar e pernoite no Hotel Central II

Dia 9
7 h - Café da manhã no Hotel Central II
8 h - Partida para Canudos (83 km)
9h/12 h - Passeio em Canudos
12h30 - entrada no Hotel Brasil (localizado na Av. Juscelino Kubitschek, 12, Centro - tel. 75-34942039) e almoço
14 h - Passeio em Canudos
18 h - Reunião do grupo, com levantamento de impressões e registro das fotos
Jantar e pernoite no Hotel Brasil

Dia 10
7 h - Café da manhã no Hotel Brasil
8 h - Partida para Nova Soure (200 km)
10 h - Chegada a Nova Soure e visita à Biblioteca do Paiaiá
13 h - almoço em Nova Soure
15 h - Retorno a Aracaju (200 km)
17 h - Chegada a Aracaju
17h30 - Partida para Monte Alegre de Sergipe
20 h - Chegada a Monte Alegre de Sergipe





sábado, 26 de dezembro de 2015

O que é o sertão para você?

Sertão nordestino
Delfábio Moura Silva

Sertão de graças e de belezas naturais e com temperatura quente e de clima seco, na maior parte do ano, por causa da escassez de chuvas... Mas seu povo é bastante batalhador e forte e consegue se acostumar e viver com essa realidade.
Nessa realidade, contudo, há grandes riquezas como o solo semiárido, os belos animais (fonte de alimentos), a flora (caatinga), cuja planta mais conhecida é o famoso mandacaru, que admiramos muito por sua capacidade de guardar água por muito tempo. Mandacaru que é como o nosso povo, que vive na seca, no meio da caatinga, sob o sol escaldante e, mesmo assim, permanece ali vivo, verde e forte...
E não podemos deixar de fora o mais importante, o nosso velho Chico, lindo, maravilhoso, com uma beleza estupenda. Anualmente turistas do mundo inteiro vêm visitar o Rio São Francisco especialmente aqui no nordeste, pelos muitos lugares históricos e de diferentes estilos e belezas que possui. Pena, entretanto, que a coisa mais importante para nós, nordestinos, pode um dia chegar ao fim... O rio não está como era antes, cada vez mais a água diminui... e de quem é a culpa? Nossa! Nós, que causamos o desmatamento, a poluição, o mau uso e a contaminação da água... Podemos fazer algo? Sim, mas apenas se nós, nordestinos, que somos tão fortes, tomarmos, o quanto antes, as atitudes necessárias.

Além do Chico, nosso sertão tem uma grande extensão territorial, que, em grande parte, é composta só de mata com vegetação seca, mas, em alguns lugares, pode se encontrar vegetação verde. Daí as surpresas que a paisagem também pode trazer...
Rio e ausência de chuva, cor de terra e verdes surpreendentes, tudo revelando este nordeste belo, rico, maravilhoso, simplesmente ser... sertão nordestino.


terça-feira, 22 de dezembro de 2015

O que é o sertão para você?

Pedro Silvino da Costa Filho

O sertão é uma subregião do Nordeste, localizada entre o agreste e o meio norte. Seu clima predominante é o semiárido e por isso sua característica maior é a estiagem, o que faz dele um lugar de sofrimento.       
Apesar do clima seco e da ausência de água em algumas regiões durante alguns períodos do ano, existem no sertão algumas áreas de terreno úmido e é graças a essa umidade que essas áreas são os principais campos destinados à agricultura. E seu cultivo predominante são o milho, o feijão e a cana-de-açúcar.
Mas no sertão não existe só estiagem, também há diversão! É lugar de muito "cabra valente" e muita "mulher bonita". E não é só isso não, aqui também tem muita comida boa, como baião a dois, buchada de bode, rapadura, paçoca de carne seca, entre outras. Também há muitas danças, como o xaxado, congada, a capoeira, baião, trevo e o bumba-meu-boi. Pura animação aqui no sertão.
Há a estiagem e há uma chuva de alegria!


segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

O que é o sertão para você?

Igor Oliveira Mota da Silva

O nordeste é uma terra encantadora, tanto por suas belezas naturais como pela culinária diversificada, tradições e festas populares expressivas da cultura do seu povo.
A natureza deste solo, que pode parecer carente de vigor durante o verão, é especialista na sobrevivência neste período (o mais seco e quente do clima nordestino). Muitas árvores, arbustos e ervas, inclusive, são estimados pelo valor medicinal que contêm.
Falando da caatinga, não posso esquecer do desmatamento, que vemos ocorrer de forma contínua para dar esforço ao cultivo de lavouras. Por conta de tal fato, percebe-se uma significativa diminuição das chuvas nos últimos anos, o que dificulta ainda mais a vida do camponês.
Por outro lado, a vida do trabalhador rural sofreu grande mudança com a reforma agrária ocorrida em vários pontos do sertão. Graças a ela, muitos pais de família garantiram o direito à propriedade e à igualdade social.
Acompanhando essas conquistas, o povo obteve ainda mais qualidade de vida com o advento de programas de estímulo ao cultivo agrícola e de assistência técnica. Assim, os camponeses aumentam a capacidade de produção e crescimento econômico.
Tudo isso fez diminuir a miséria no campo e a saída de pessoas da área rural para a urbana e para outras regiões do Brasil.

O sertão está descobrindo saídas em si mesmo para uma vida melhor.



domingo, 13 de dezembro de 2015

O que é o sertão para você?

O que é sertão?
Luciene de Oliveira

   Certa vez, assistindo a um noticiário na TV, deparei-me com uma notícia que me chocou. Mais uma vez estavam falando do sertão... O fato chocante era que outra vez se falasse de secas... Nunca vi um noticiário falar de algum ocorrido feliz no sertão. É sempre tragédia. Desta vez a notícia tratava de um longo período de estiagem que vinha se arrastando por anos, e que trouxe muitas tristezas aos moradores da região, os SERTANEJOS, que vinham perdendo seus animais devido à falta de alimentos provocada pela falta de chuvas.
  Esses períodos de estiagem causam, sim, muitos danos aos sertanejos. No entanto, o sertão é bem mais que uma seca. A sociedade o vê como um lugar “FEIO” cheio de analfabetos, sem “cultura e educação” predestinados ao fracasso e a morrer no meio do sol quente, como dizem: um bando de caipiras sem educação. Comem iguais a selvagens, não usam talheres, comem de COLHER em uma CUIA. Vivem no meio do mato, não sabem nem em que século estamos. Não têm cultura, só têm o forró que é uma breguice... É muito fácil ouvir pessoas de outros lugares falando desse modo sobre o povo sertanejo. Coitados, não sabem de nada.
   Aqui nós temos diversas belezas... Cultura? Ah... isso nós temos de sobra. E digo mais, os moradores mais antigos do sertão não tiveram acesso à educação e, apesar deste obstáculo, fizeram parte da literatura brasileira. Quem nunca ouviu falar em cordel? Um gênero textual lindo e muito difícil de se criar! Principalmente para os “alfabetizados”, dominar essa arte é coisa de quem mora no sertão e não de graduado. As novas gerações estão evoluindo juntamente como o resto universo. Se antigamente os moradores eram formados na universidade da VIDA, hoje em dia são formados nas universidades federais, e não há nenhuma diferença em relação à outra, que inclusive é ainda mais importante, pois, saber se virar no sertão não é fácil.
  Não se engane: o forró é o nosso ritmo mais conhecido, mas não é o único. Aqui tem xote, baião, xaxado, o forró pé de serra (que é diferente do outro) e as toadas (durante as vaquejadas, os aboiadores começam a declamar seus versos). O São João é a festa mais conhecida, mas isso não significa que é a única. Ocorrem durante todo o ano as VAQUEJADAS (ou “Pega de boi no mato”), para os mais religiosos há as NOVENAS (rezas durante todo o dia para agradecer aos santos algum milagre ao som de pífanos, que se arrastam até a noite), nos pequenos povoados nos fins de semana ocorrem os leilões (o qual chamamos de “lelão”), em algumas cidades há as famosas corridas de jegue, as cavalgadas... Não faltam festas aqui!
  O povo do sertão também é muito antenado e não fica atrás de ninguém não. Estamos conectados nas redes sociais, sabemos qual é a última moda em Paris (como se isso importasse...), não somos um bando de coitadinhos que vivem no meio do mato isolados do resto do mundo.

  Para saber o que é o sertão de verdade, talvez precisássemos conhecê-lo de perto e não nos basearmos apenas no que as mídias divulgam. Pois, por meio delas, em geral, só saberemos das tragédias. O resto é como se não existisse. O sertão não se resume à morte. Ao contrário, a vida transborda por aqui.



sábado, 12 de dezembro de 2015

O que é o sertão para você?

A cor da terra, as cores da gente
Lucas Messias da Costa
 
Um lugar onde tudo é quente e vermelho, onde talvez até o arco íris tenha apenas essa cor - se é que alguém já viu algum por lá! Um lugar onde a água da chuva evapora antes mesmo de tocar chão. Esse é o sertão!
Nesse lugar, a única coisa que consegue se manter verde e úmida é o cacto, dentre as espécies existentes nessa terra: mandacaru, xiquexique, quipá, palma, cabeça de frade, nenhuma abdica de espinhos que protegem sua raridade particular, tornando-a intocável. Espinhos que antigamente eram folhas e foram se adaptando evolutivamente conforme a secura foi aumentando.
Dizem que o sertão tem esse nome porque quando os portugueses saíram do litoral e foram adentrando o território brasileiro perceberam que essa região tinha um clima quente e seco e a chamaram de "desertão". Com o tempo e consequência do sotaque português, a região "desertão" se transformou em região "de sertão" depois apenas "sertão".
No sertão todo mundo come buchada, carne de sol, canjica, vatapá, acarajé, entre outras. O povo adora dançar um "Forrozim", com traços de baião, xote e xaxado. Passam a noite toda levantando poeira -e poeira é que não falta. É tanto vai-vem que me lembrei de um causo em que um homem estragou todo o solado de sua bota nova no meio de uma noite de dança e, para não perder a noite, cortou um pedaço de papelão, vedou o rombo em sua bota e continuou a dançar. Claro que o papelão também se desgastava e por isso de tempos em tempos ele saía e trocava por outro pedaço. Enfim esse é o tipo de gente que vive no sertão...
Em meio a tanto calor, poeira vermelha e vegetação acinzentada existem cores diferentes sim! São as cores da gente. Gente que é generosa, prestativa e hospitaleira. Gente que, diferentemente dos cactos, não é egoísta o bastante para proteger sua superioridade em relação ao ambiente em que vive com espinhos. Muito pelo contrário, vive em algum tipo de  mutualismo com a terra que tanto a castiga.
 


quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

O que é o sertão para você?

O que é o sertão para você?
Lívia Santos Lima

Sertão... Tão difícil defini-lo... Arrisco dizer que sua definição não caberia em um único livro, quanto mais em um texto qualquer! Mas eis que cada um tem sua história e um desabafo para contar.
  Pois bem, estou farta de ver pessoas hipócritas dizendo orgulhar-se de morar no interior, no sertão sergipano, mas que, na verdade, não veem a hora de ir para a capital e desfrutarem de mordomias.
  Ser um sertanejo não é nascer ou morar no sertão... É mais que isso: é orgulhar-se de fazer parte de uma nação sofredora, mas que nunca se deixa abater por problemas rotineiros e sacrifícios diários, ser feliz e agradecer todos os dias por ter o que comer, ter pouco no bolso e saber partilhar com o próximo, enfim, é buscar se tornar um ser humano melhor a cada dia.
  O sertão tem um sabor amargo na boca de muitos, mas um ar de vitória para aqueles que lutam dia após dia, para cuidar de sua pequena criação de animais. Poucos tiveram a chance de concluir o colegial, sendo sua única opção o trabalho quase escravo nas lavouras durante o inverno, e no verão o trabalho em seu próprio sítio ou nas fazendas de grandes latifundiários, para chegar a casa, já ao cair da noite, sem energia nem para dar atenção ao seu próprio filho, que dirá à sua esposa. Triste, não?
  O sertão é dono de fauna e flora exuberantes, dignas de excelentes fotos e admiração intensa. Mas poucos conhecem esse valor e sua cultura e tradições vão sendo esquecidos com o tempo.
  O sertão de outrora já não é mais o mesmo de hoje, e aos poucos as pessoas esquecem de seu verdadeiro significado. E esse significado, caro leitor, cada um traz dentro de si.


quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

O que é o sertão para você?

O sertão como eu vejo
Ernandes Santos Oliveira

Lá vem o sol abrindo a manhã com seu brilho encantador, queimando as folhas das árvores que secas já estão por conta do clima tão quente que ali se abriga. A terra seca nada produz, as plantações morrem sem forças para crescer por falta da chuva, que não vem.
Os sertanejos lutam em uma guerra na qual a arma é a fé, trabalham sem descanso para conseguir sobreviver nessa guerra contra a fome e a miséria, os guerreiros de esperanças sofrem na seca com fé que um dia a chuva chegará, a seca acabará e nas terras férteis do sertão reinará o verde-limão!



terça-feira, 8 de dezembro de 2015

O que é o sertão para você?

O Sertão como eu vejo
Calyne Porto de Oliveira

Para mim e muitos outros jovens, o Sertão é apresentado como aquela terra seca, onde o solo é pedregoso, há pouquíssima chuva durante o ano, com o clima caracterizado pelas altas temperaturas. Lugar onde encontramos plantas aparentemente sem vida e, nas estradas, cadáveres de animais que morreram de fome e sede devido à seca que castiga a região.
Terra de pobreza e miséria. De um povo sem acesso à educação e por muitos visto como sem "cultura". Povo esse de numerosas famílias. Muitas crianças.
Particularmente, creio que nosso Sertão Nordestino não se resume única e exclusivamente a tudo isso que foi falado.
Seu clima e sua paisagem têm suas peculiares belezas, de que são exemplo a catingueira, o mandacaru e o xique-xique. É impressionante como aquelas plantas, que mais parecem estar mortas, sobrevivem à seca e com uma chuvinha "renascem" e enverdecem. E como os animais são resistentes! O povo, com sua capacidade de adaptação ao clima, é acolhedor, sábio e humilde.
Além disso, o Sertão não está "eternamente" em seca, seca e mais seca. Há seus momentos chuvosos e de temperaturas menos elevadas. Seu povo estuda e é de grande cultura.
Aos meus olhos, nosso dever é, através de nossas crônicas, que serão transformadas em livro, desmitificar a ideia de Sertão como apenas terra seca, mostrando que ele vai muito além disso. Ajudar a acabar com essa mania nossa e dos outros de ver o Sertão de modo errado.


23/11/15


segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

O que é o sertão para você?

Alexandre Gomes de Oliveira

O sertão para mim, hoje, é um lugar misterioso.
Algumas pessoas poderiam até me perguntar: “Como ou porque você chegou a essa conclusão de que o sertão é misterioso?
Eu, simplesmente responderia: “Através de entrevistas com pessoas mais idosas”.
Pessoas que vieram antes da gente e que relatam fatos repletos de mistérios para os quais seria muito legal que a gente tivesse um olhar mais profundo. No sertão há histórias que estão desaparecendo com a morte de pessoas idosas, porque conhecimentos importantes que elas têm ficam esquecidos ou desconhecidos pelas pessoas. O sertão, por isso, morre junto com elas.
Eu tenho uma imensa curiosidade. Quero estudar mais para conhecer melhor o sertão, que é o lugar onde vivo. E divulgar desse conhecimento para outras pessoas do sertão mesmo e também para gente de outros lugares.
Muitos imaginam e comentam que o sertão é um lugar pobre, divulgando aquela velha ideia no sertão apenas há a seca e o cangaço. Mas, através de nossas pesquisas, podemos mostrar a elas que estão erradas. O sertão é um lugar rico em fatos históricos, lendas entre outras coisas.

Por tudo isso, para mim, o sertão possui mistérios que nós mal podemos imaginar, e eu irei continuar minha busca sobre esses mistérios, para mostrar às pessoas que parecer não é ser.


domingo, 6 de dezembro de 2015

O que é o sertão para você?

Aécio Silva Júnior

Ao meu ver o Sertão é lugar de pessoas marcantes, com histórias sofridas de vida, mas que sempre estão achando motivos para sorrir. No sertão, infelizmente, há grandes sofrimentos, como a dor, a seca, a fome e tantos outros males que crescem por quase toda sua parte. Cresci nesse Sertão, vi e vejo muitas pessoas indo embora em busca a de uma vida melhor. Vi animais morrerem de fome e sede pela falta de chuvas, vi e vejo jovens de 13, 14, 15 anos se tornarem pais ou mães de família quase que à força, pois viam no casamento a esperança de uma vida melhor.
Definir o Sertão é muito difícil, mas me arrisco a dizer que o Sertão é lugar de miscigenação de raças e culturas. Lugar de gente feliz, porém sofredora, que nele vive quase sempre por falta de opção ou de oportunidades. Mas também, um lugar de pessoas de fé. Fé essa usada como apoio para aquentar os tormentos do dia a dia em meio aos problemas quem vêm ocorrendo com o tempo. Problemas estes tais como: a falta de interesse de muitos jovens sertanejos pela leitura e pela escrita de textos como poemas, contos, crônicas, romances e etc., as manifestações culturais locais que a cada dia "morrem" um pouquinho e ficam esquecidas (a exemplo da quadrilha, samba de coco, reisado ...), além de outro grande problema que é a falta de interesse de muitos sertanejos em conhecer, pesquisar e compartilhar as histórias do de sua terra. Isso mudaria a visão quem muitos (inclusive eu) têm de que o sertanejo em sua grande maioria não valoriza o lugar onde vive. A meu ver, estamos (digo estamos pois não sou exceção) deixando de fazer nossa parte, que é preservar, cuidar e dar valor ao lugar em que vivemos. Em vez disso, os sertanejos fecham seus olhos e fingem que não veem a caatinga ser devorada pelo homem, os animais sumirem do mato, a água ficar escassa, sua cultura rica e bonita enfraquecer e os valores das antigas famílias muitas vezes serem deixados de lado.

Apesar da definição dura e, em um primeiro olhar, exagerada, a característica principal que gostaria de enfatizar no Sertão é a coragem e a força que ele passa para seus habitantes, pois, observando o exemplo da própria terra, capaz de renascer a partir do mínimo, nós nos tornamos mais fortes e preparados para a vida e para lidar com os problemas do cotidiano.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Andamento do projeto (15/11/2015)

Reunião do Carlos com o grupo. Ficaram definidas as seguintes ações:

1) No dia 15/12 haverá uma oficina com a participação do Prof. Luciano, de Geografia (Colégio Estadual 28 de Janeiro), com o objetivo de se conversar sobre os aspectos geográficos do sertão;

2) Todos produzirão um texto que responda à questão: "O que é sertão para você?" (prazo: 2 semanas)

3) Todo o grupo realizará a leitura dos textos indicados pelo Prof. Fernando Sá, de modo que, antes da visita de janeiro a Canudos e à Biblioteca do Paiaiá, já tenham sido debatidas questões sobre o sertão histórico;

4) Todos do grupo prepararão um "caderno do/s cronista" para apresentar no encontro do dia 15/12;

5) Carlos fará os orçamentos para as viagens e os passeios de janeiro.


segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Entrevista no Bom Dia Sergipe (09/11/2015)

http://g1.globo.com/se/sergipe/bom-dia-sergipe/videos/v/conheca-o-projeto-jovens-cronistas-do-sertao/4595357/

Andamento do projeto (04/11/2015)

Na reunião do dia 04/11, tivemos vários momentos:


1) Conversamos sobre o que é uma crônica, suas peculiaridades, sua linguagem, o hibridismo que permite que poesia e ficção também estejam presentes em uma manifestação do gênero. Nossos jovens apresentaram suas visões sobre o tema para que chegássemos a um conceito básico e delineássemos as possibilidades criativas que a crônica, em sua diversidade filosófica, humorística e lírica, permite.
2) Fizemos comentários sobre as crônicas de Rubem Braga, Luís Fernando Veríssimo, Clarice Lispector, Cecília Meireles, Affonso Romano de Sant'Anna e da cabo-verdiana Verda Duarte que foram lidas desde o encontro anterior. Além das impressões de nossos jovens cronistas sobre o que foi lido, observamos os recursos de que os cronistas se utilizaram para iniciarem suas crônicas. Discutimos como é importante buscar cativar o/a leitor/a desde o princípio, instigando-/a a continuar a leitura.
3) Fechamos o cronograma das viagens/passeios que serão feitos em janeiro, de modo a possibilitar um "mergulho" amplo nas questões históricas, geográficas, humanas, humorísticas e contemporâneas que viabilizarão um contato próximo com as diversas realidades que configuram o sertão.
4) Definimos as ações para o próximo encontro (em dezmebro): conversa com o Prof. Fernando Sá sobre a história do sertão; continuação das leituras dos cronistas elencados; montagem individual de um "caderno do/a cronista", no qual ficarão registrados os apontamentos dos encontros; leitura de crônicas de Ronaldo Correia de Brito, que produziu textos sobre o sertão; leitura dos artigos indicados por Fernando. 


O cronograma definido foi:

. de 8 a 10 de janeiro - Biblioteca do Paiaiá e Canudos (BA) - SEXTA A DOMINGO
. dia 15 de janeiro - Rio São Francisco, Piranhas (AL), Museu do Cangaço (AL), Max, Ecoparque, Grota do Angico (Poço Redondo/SE) - O DIA TODO
. dia 16 de janeiro - Feira de Nossa Senhora da Glória (SE) e Leilão (Monte Alegre de Sergipe ou outra localidade próxima que tenha leilão nesse dia) - O DIA TODO
. dia 17 de janeiro - Serra da Guia (Poço Redondo/SE) - MANHÃ
. dia 22 de janeiro - cotidiano da cidade de Monte Alegre de Sergipe, Pedra do Tabuleiro, Lagoa do Roçado, Hora Orgânica e Pedra do Nego - MANHÃ

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Andamento do projeto (23/10/2015)

No dia 23 de outubro, realizamos a primeira reunião com os 10 estudantes do Colégio Estadual 28 de Janeiro selecionados para participar do projeto. Carlos Alexandre, Ariene, Éverton e eu conversamos com o grupo sobre a estrutura do projeto e ouvimos, de cada um/a deles/as, relatos sobre sua experiência com a produção textual e sua vivência no sertão sergipano.

Aécio, Alexandre, Calyne, Delfábio, Ernandes, Igor, Lívia, Luciene, Lucas e Pedro se mostraram entusiasmados com o início das atividades, que, no primeiro momento, envolve a leitura de livros de crônicas dos brasileiros Rubem Braga, Cecília Meireles, Clarice Lispector, Luís Fernando Veríssimo e Affonso Romano de Sant'Anna e da cabo-verdiana Vera Duarte.

O foco principal após a primeira leitura das crônicas será verificar os recursos utilizados pelos/as cronistas para "começar a crônica". ´No próximo encontro, no dia 4 de novembro, saberemos quais foram as crônicas que mais agradaram a cada um/a dos/as jovens cronistas e, em especial, o que lhes chamou a atenção em termos de estrutura de abertura de um tipo de texto que deve ser, antes de tudo, convidativa, para instigar o/a leitor/a a permanecer interessado na leitura.

Além disso, Everton e Ariene farão um acompanhamento individualizado da produção que levou esses/as jovens a serem selecionados, de modo a verificar possível necessidade de alguma abordagem gramatical que promova aperfeiçoamento da consciência dos recursos da escrita.

Também no dia 4 de novembro será elaborado o cronograma das visitas que serão feitas pelo grupo, consolidando uma das etapas do projeto, que é levar os/as jovens cronistas a interagirem com os espaços diferenciados que o sertão oferece.

domingo, 18 de outubro de 2015

Andamento do projeto (18/10/2015)

Após processo de seleção (aplicado pelo Prof. Carlos Alexandre), que envolveu 75 alunos inscritos e 60 participantes efetivos, foram escolhidos por mim os seguintes nomes para participarem do projeto "Jovens cronistas do sertão":

Ensino Fundamental
03 - Ernandes Santos Oliveira
26 - Alexandre Gomes de Oliveira
71 - Pedro Silvino da Costa Filho
 
Ensino Médio
13 - Delfábio Moura Silva
31 - Livia Santos Lima
36 - Calyne Porto de Oliveira
37 - Luciene de Oliveira
47 - Lucas Messias da Costa
48 - Aécio Silva Junior
51 - Igor Oliveira Mota da Silva


A seleção envolveu a redação de uma carta destinada à professor a Christina, conforme descrição abaixo:
 
Considerando que você se candidatou a participar do projeto “Oficina de Criação Jovens Cronista do Sertão”, dirija uma carta à coordenadora do projeto, a professora Christina Ramalho, explicando os motivos de seu interesse e apresentando seus pontos de vista sobre a importância da literatura para a sociedade e sobre a ideia de ver o sertão sergipano representado em crônicas escritas por jovens estudantes. Faça uso de todos os itens que devem compor uma carta. (mínimo de 20 e máximo de 40 linhas).
 
As redações foram separadas em dois envelopes: um para textos de alunos do Ensino Fundamental Maior e um para alunos do Ensino Médio. Do primeiro grupo, foram escolhidos 3 textos; do segundo, 7, visto que o número de inscritos do Ensino Médio foi bem mais expressivo numericamente. Não houve identificação prévia da autoria.

Nossos parabéns a todos/as os/as participantes. Foi difícil escolher! Quem não foi escolhido/a desta vez não se entristeça. Outros projetos virão!
 
Próximo passo: primeiro encontro no dia 23 de outubro, às 10h30 no Colégio Estadual 28 de Janeiro, em Monte Alegre de Sergipe/SE.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Andamento do projeto (08/10/2015)

Ontem, dia 08/10, com a coordenação/supervisão do Prof. Carlos Alexandre, foi realizada a segunda etapa da fase de seleção dos 10 estudantes que participarão do projeto. A primeira etapa, a inscrição dos estudantes interessados, resultou em mais de 70 inscrições. A segunda etapa, envolvendo uma produção de texto, aconteceu na própria escola (Colégio Estadual 28 de Janeiro) em três turnos (manhã, tarde e noite). Na sequência da fase de seleção, eu farei a leitura dos textos e serei responsável pela definição dos 10 selecionados. Apresento, a seguir, a proposta de produção textual, esclarecendo que não houve identificação dos/as autores/as. Os textos serão separados em dois envelopes: "Ensino Fundamental" e "Ensino Médio", de cada qual eu escolherei 5. Feita a escolha, o Prof. Carlos Alexandre identificará a autoria,e os 10 estudantes serão convidados a integrarem o projeto, participando de uma primeira reunião, no dia 23 de outubro, quando discriminaremos para o grupo todas as etapas posteriores.
 

 
Proposta de redação

Considerando que você se candidatou a participar do projeto “Oficina de Criação Jovens Cronista do Sertão”, dirija uma carta à coordenadora do projeto, a professora Christina Ramalho, explicando os motivos de seu interesse e apresentando seus pontos de vista sobre a importância da literatura para a sociedade e sobre a ideia de ver o sertão sergipano representado em crônicas escritas por jovens estudantes. Faça uso de todos os itens que devem compor uma carta. (mínimo de 20 e máximo de 40 linhas)
 
 AGRADECEMOS IMENSAMENTE O INTERESSE DE TODOS OS ESTUDANTES E SEU EMPENHO EM PARTICIPAR DA FASE DE SELEÇÃO. 

domingo, 27 de setembro de 2015

Andamento do projeto (27/09/2015)

O Prof. Carlos Alexandre está promovendo a inscrição de estudantes do Ensino Fundamental (6o. ao 9. ano) e Ensino Médio do Colégio Estadual 28 de Janeiro (Monte Alegre de Sergipe/SE) interessados em participar do processo de seleção. A inscrição se dá por meio de ficha própria, em que um resumo com a descrição do projeto é apresentado aos interessados. A seleção, por meio de redação, acontecerá no dia 8 de outubro. A Profa. Christina será a responsável pela escolha dos 10 estudantes que participarão do projeto.
 
Como o projeto prevê a participação de dois monitores, o primeiro deles já foi definido: Éverton de Jesus Santos (orientando de mestrado da Profa. Christina). Everton possui crônicas publicadas e participou do projeto "Oficina de criação: crônicas e poemas", realizada em 2014, no Colégio Estadual 28 de Janeiro).
 
O Prof. Antônio Fernando de Araújo Sá, doutor em História pela UnB, professor do Curso de História da Universidade Federal de Sergipe e pesquisador especializado na temática do sertão passou a integrar o projeto como Coordenador Adjunto. Sua colaboração terá peso importante para o desenvolvimento do projeto.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Metodologia



Etapa 1: Cinco encontros no espaço de 1 mês, com duração de 4 h/a cada (realizados no Colégio Estadual 28 de Janeiro, com a participação dos 10 estudantes, dois monitores da UFS e dos professores Carlos Alexandre e Christina, nos quais serão abordados:

1.1 – o gênero crônica e os recursos de linguagem que conferem literariedade à crônica;
1.2 – o hibridismo entre a crônica, o poema e o conto
1.3 – os recursos de linguagem da crônica humorística
1.4 – os recursos de linguagem da crônica filosófica
1.5 – os recursos de linguagem da crônica lírica

Nessa etapa, a título de produção experimental, serão escritas crônicas de temáticas diversas, ainda sem o centramento no sertão como foco.

Etapa 2: Cinco encontros, com duração de 4 h/a cada, para a discussão das cinco temáticas que orientarão a produção das crônicas: o sertão histórico; o sertão geográfico; o sertão humano; o sertão bem-humorado; e o sertão contemporâneo. Nesses encontros, que também contarão com a participação de todos os membros do projeto, serão utilizados, para os respectivos debates, livros, revistas, artigos de jornais, imagens, depoimentos, etc., previamente selecionados pelos professores Carlos Alexandre e Christina, que, para isso, contarão com o apoio de profissionais especialistas de suas respectivas instituições.

Etapa 3: Concomitante à Etapa 2, a Etapa 3, com um total de 20 h/a, envolverá visitas dos estudantes a locais Grota do Angico, Cânion do Xingó, Rota do sertão, Roteiro do Cangaço, entre outros, com o objetivo de estimular a produção textual, a partir da observação direta de elementos relacionados às temáticas propostas.

Etapa 4: Produção textual. Essa etapa terá início após o primeiro encontro da etapa 2, de modo que, logo após cada debate temático, os estudantes já possam iniciar sua produção. Essa produção será acompanhada pelos monitores e pelos dois professores, sob forma de revisões, orientações em relação à estrutura textual, e possíveis sugestões, desde que respeitadas as ideias dos autores e o estilo individual que desenvolvam. A interferência será, portanto, mínima, apenas com o intuito de auxiliar no amadurecimento dos estudantes como cronistas. Total de crônicas produzidas por cada estudante: 10.

Etapa 5: Preparação dos originais do livro, a ser realizada pelos professores Carlos Alexandre e Christina, incluindo a preparação do prefácio e dos textos de orelha, de responsabilidade dos autores já discriminados.

Etapa 6: Edição do livro e preparação dos lançamentos (um deles a ser realizado no colégio Estadual 28 de Janeiro e outro a acontecer no campus Itabaiana, da Universidade Federal de Sergipe) e divulgação do projeto em jornais e rádios locais.