Aécio Silva Júnior
Muitas pessoas veem
as cabras como animais irracionais ou como qualquer outro animal doméstico, e
acham só servem para o alimento humano. A essas pessoas, quero informar
que cabras não são assim.
Meu nome é Aécio,
moro em uma fazenda localizada no município de Porto da Folha, em Sergipe. Tenho
16 anos. Quando pequeno, via minha avó cuidando do pequeno rebanho de cabras e
ovelhas, tal como nossos vizinhos de terra, que também criavam esses tipos de
animais. Naquela época, era comum a criação desses dois tipos de rebanhos.
Sempre gostei de
cuidar de animais, especialmente desse belo mamífero que é a cabra, mas,
infelizmente, o tempo passou e as pessoas da minha região e até de outras
partes do sertão deixaram de criar as cabras, inclusive minha avó. Os antigos
criadores justificavam o fim da criação dizendo que as cabras não davam tantos
lucros, ou que eram muito danadas, ladras, e pouco a pouco trocaram as cabrinhas
por vacas leiteiras, que devagar tomaram as propriedades rurais. Hoje, na minha região, dificilmente se encontram criações de caprinos (de ovinos até que
ainda existem). Se antes, em cada casa do interior, havia ao menos uma cabra
que servia para fornecer o leite de cada dia, hoje em dia as pessoas só as
criam quando têm alguma necessidade de consumir o seu leite ou para abater em
dia de festa. Assim mesmo, criam uma ou duas e olhe lá! E você, meu caro
leitor, sabe qual a consequência disto?
Nos dias atuais, é
comum ouvir dos fazendeiros (sejam eles grandes ou pequenos) reclamações sobre
os enormes gastos que têm com a alimentação do gado bovino, o baixo lucro com o
leite e a carne comercializados, além da falta de adaptabilidade de muitas
raças bovinas ao nosso clima. É comum, aqui onde moro, ouvir relatos de pessoas
que perderam todo ou parte do rebanho, pessoas que foram à falência ou estão
endividadas com empréstimos no Banco por causa de dívidas com ração para o
gado. Na ganância de terem mais lucros, os sertanejos abandonaram suas raízes e
uma tradição de séculos, que é a criação de cabras, animais super adaptados ao
nosso clima, só porque acharam outro animal que daria mais lucro... Coitados...
As pessoas muitas
vezes julgam as coisas pelo seu tamanho... Por isso acharam que pelo fato de a vaca
ser maior e dar mais leite, ela daria mais lucros mesmo aqui no sertão.
Enganaram- se! Veja, leitor, a tabela abaixo:
Agora você perceba como são as coisas: mesmo com as várias vantagens, citadas na tabela acima, que
a criação de cabras apresenta, a maioria dos pecuaristas optou e opta por criar
vacas! Contudo, acho que esse fato vai mudar muito em breve, pois, a cada ano
que passa se intensifica a seca, que chega mais forte e predomina por mais
tempo, e, com isso, as pessoas começam a perceber que as cabras são
(como sempre foram, apesar de muitos esquecerem) a criação que mais dá certo
nesse sertão sofrido. E você sabe por quê? Porque elas, apesar da
discriminação, desvalorização por parte dos sertanejos, da falta de interesse
por parte dos novos criadores e de todo e sofrimento que passam com a seca,
permanecem firmes e fortes e estão espalhadas pelos sertões afora.
Por causa dos
vários motivos apresentados aqui, eu mesmo passei a criar cabras! Comecei com
uma cabra e um bode que comprei no dia 11/07/2012 e desse dia em diante prometi
a mim mesmo que, apesar das dificuldades e dos obstáculos, eu sempre criarei e
valorizarei esse ser que é a cabra, um ser que, a meu ver, é símbolo de força e
coragem. E falo isso porque convivo com elas, vejo suas vidas de perto e com
elas aprendo que é preciso termos coragem e determinação para seguimos em
frente e não desistirmos quando a primeira pedra (e outras) aparecer no
caminho. Essa coragem e essa determinação fazem das cabras (e podem fazer de
nós) mais que animais sobreviventes, são SERES!
Espero que você que
está lendo meu texto passe a valorizar mais a cabra e procure saber ainda mais
sobre sua vida e seu comportamento e use essas informações para, assim como eu,
acrescentar mais ao seu SER!



