Nosso sertão

Nosso sertão é muito mais que um cacto espetado na retina.



sábado, 12 de dezembro de 2015

O que é o sertão para você?

A cor da terra, as cores da gente
Lucas Messias da Costa
 
Um lugar onde tudo é quente e vermelho, onde talvez até o arco íris tenha apenas essa cor - se é que alguém já viu algum por lá! Um lugar onde a água da chuva evapora antes mesmo de tocar chão. Esse é o sertão!
Nesse lugar, a única coisa que consegue se manter verde e úmida é o cacto, dentre as espécies existentes nessa terra: mandacaru, xiquexique, quipá, palma, cabeça de frade, nenhuma abdica de espinhos que protegem sua raridade particular, tornando-a intocável. Espinhos que antigamente eram folhas e foram se adaptando evolutivamente conforme a secura foi aumentando.
Dizem que o sertão tem esse nome porque quando os portugueses saíram do litoral e foram adentrando o território brasileiro perceberam que essa região tinha um clima quente e seco e a chamaram de "desertão". Com o tempo e consequência do sotaque português, a região "desertão" se transformou em região "de sertão" depois apenas "sertão".
No sertão todo mundo come buchada, carne de sol, canjica, vatapá, acarajé, entre outras. O povo adora dançar um "Forrozim", com traços de baião, xote e xaxado. Passam a noite toda levantando poeira -e poeira é que não falta. É tanto vai-vem que me lembrei de um causo em que um homem estragou todo o solado de sua bota nova no meio de uma noite de dança e, para não perder a noite, cortou um pedaço de papelão, vedou o rombo em sua bota e continuou a dançar. Claro que o papelão também se desgastava e por isso de tempos em tempos ele saía e trocava por outro pedaço. Enfim esse é o tipo de gente que vive no sertão...
Em meio a tanto calor, poeira vermelha e vegetação acinzentada existem cores diferentes sim! São as cores da gente. Gente que é generosa, prestativa e hospitaleira. Gente que, diferentemente dos cactos, não é egoísta o bastante para proteger sua superioridade em relação ao ambiente em que vive com espinhos. Muito pelo contrário, vive em algum tipo de  mutualismo com a terra que tanto a castiga.
 


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